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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Aracaju é uma capital nordestina com variedade e bons preços


A capital sergipana não tem as praias mais badaladas do Nordeste, mas em compensação, capricha quando o assunto é variedade de passeios, infra-estrutura e preços - até mesmo na alta temporada os programas saem em conta. Com ruas limpas e arborizadas, a cidade tem como principal cartão-postal a orla de Atalaia, repleta de atrativos. Ao longo de seis quilômetros reúnem-se quiosques, calçadão, ciclovia, quadras poliesportivas, fontes luminosas e um oceanário que encanta crianças e adultos. Por lá fica a Passarela do Caranguejo, um trecho tomado por bares e restaurantes que servem o melhor da cozinha regional – frutos do mar, carne-de-sol, pirão-de-leite e, claro, caranguejo. A palavra festa, que tão bem rima com Nordeste, encontra sinônimo na capital de Sergipe. Realizado na segunda quinzena do mês de junho, o Forró Caju reúne milhares de turistas que chegam atraídos pelo maior evento da região.
Na cidade cenográfica montada na Praça dos Eventos, as animadas quadrilhas têm a atenção dividida com o som das sanfonas, zabumbas e triângulos; e com os cheiros de milho cozido e amendoim torrado que se espalham pelo ar. As tradições típicas são mantidas também nas cidades históricas de São Cristóvão e Laranjeiras, a menos de 30 quilômetros de Aracaju e que guardam jóias arquitetônicas coloniais, além de festivais folclóricos. Também nos arredores da capital fica um dos cenários mais bonitos do Estado - o cânion de Xingó, desbravado a bordo de escunas e catamarãs que cortam as águas verdes do rio São Francisco. Caso a vontade de mergulhar em um mar azul ainda persista, tome o rumo de Mangue Seco – o vilarejo baiano está a cerca de cem quilômetros de Aracaju.

domingo, 27 de setembro de 2009

Capital do Maranhão e do reggae, São Luís é banhada por mar, rio e por muita cultura


São Luís é capital do Maranhão e do reggae ao mesmo tempo. Banhada por mar e rio, a cidade que no século 19 se cobriu de azulejos portugueses para melhor resistir ao calor da zona equatorial virou também sinônimo de Patrimônio Cultural da Humanidade.O título veio uma década atrás, em 1997, quando a Unesco confirmou o Centro Histórico como "testemunho excepcional de tradição cultural". Somando-se os tombamentos federal e estadual, são cerca de 3.500 edificações dos períodos colonial e imperial, entre sobrados, palácios, igrejas e casas de porta e janela, em diferentes estados de conservação.Uma visita ao bairro da Praia Grande, antiga zona portuária, costuma começar pela rua Portugal, onde sobrados de até quatro pavimentos são revestidos de cerâmicas coloridas de cima a baixo. O azulejo ajuda a refletir os raios solares, protegendo os moradores do calor e também conservando as fachadas contra as chuvas torrenciais do primeiro semestre. Em São Luís, o calor e chuva não são para amadores.O reggae de inspiração jamaicana se impõe entre as animadas manifestações culturais da região e compete com o bumba-meu-boi em popularidade e lazer para multidões. Existe até o Dia Municipal do Regueiro: 5 de setembro. Cultura negra onipresenteFundada por franceses em 1612 e reconquistada pelos portugueses três anos depois, a capital está localizada na parte ocidental da Ilha de São Luís, no Golfão Maranhense. Os rios Bacanga e Anil banham a região central, compondo uma bonita paisagem com o Palácio dos Leões, antiga fortaleza. No sentido centro-bairro, a partir da ponte Presidente José Sarney começa a orla com as principais praias: Ponta d´Areia, São Marcos, Calhau.Com cerca de 960 mil habitantes, São Luís pode ser comparada a capitais como Salvador e Rio de Janeiro quando o assunto é a força da cultura negra, presente nas festas populares e rituais afro-brasileiros. Exu, tranca-rua, Ogum, encruzilhada, Casa de Nagô e pomba-gira, por exemplo, são termos das canções de Zeca Baleiro e Rita Ribeiro, dois artistas do Maranhão, terra natal da cantora Alcione e dos poetas Gonçalves Dias e Ferreira Gullar.Em 2007, a dança tambor de crioula, que homenageia São Benedito, foi promovida a Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, um título já concedido pelo governo federal a outras preciosidades como o frevo pernambucano e o ofício das baianas do acarajé. A história da escravidão também constrói o tambor de mina, o nome para a religião afro-brasileira local. Na costa africana, os escravos eram embarcados desde o Porto de São Jorge Del Mina, e o termo passou a identificar etnias da população negra.No enredo do bumba-meu-boi, duas das figuras principais são escravos: Catirina e o marido que, tresloucado de amor, mata o boi do patrão para que a mulher, grávida, realize o desejo de comer a língua do bicho. A festa junina do "boi" tem a complexidade dos diversos sotaques, os ritmos de zabumba, matraca ou orquestra, e uma infinidade de cores e brilhos nas roupas e adereços dos participantes.Museus como Casa do Maranhão, Cafuá das Mercês e Centro de Cultura Popular oferecem aos turistas uma ótima oportunidade de conhecer melhor a história das festas e rituais. Além de protegê-los contra o calor em ambientes refrigerados.Não bastasse a ausência da cor azul que marca as águas da orla nordestina, as principais praias de São Luís são poluídas, resultado de prolongado descaso com o saneamento básico. A má notícia foi confirmada em 2007 numa pesquisa da UFMA (Universidade Federal do Maranhão) que detectou índices de coliformes fecais muitas vezes superiores aos recomendados pela Organização Mundial de Saúde. O problema se verifica em praias como Ponta d´Areia, São Marcos, Olho d´Água e Calhau, próximas do centro. A maré sobe ou desce a cada seis horas, um espetáculo para ser assistido de longe. Moradores bem-informados preferem a distante Araçagi para banho.

sábado, 22 de agosto de 2009

Águas rasas, mansas e mornas dão um toque especial a essa tranqüila ilha da Bahia


No começo do mundo, uma ave de plumas brancas iniciou, partindo do centro do universo, uma jornada em busca de um paraíso para pousar. Depois de dias e noites voando, escolheu o litoral de uma terra imensa, onde caiu morta de cansaço. Suas asas transformaram-se em praias e, no lugar onde seu coração tocou o solo, abriu-se uma enorme depressão, invadida pelas águas. De seu sangue, formaram-se as 56 ilhas da maior e mais bela reentrância do país, a Baía de Todos os Santos, ou Kirymuré-Paraguaçu, segundo os primeiros habitantes da ilha de Itaparica, os índios tupinambás --essa história foi resgatada por um grupo de professores de escolas públicas da ilha de Itaparica.O próprio nome Itaparica vem do tupi. Significa "cerca de pedras", uma referência aos arrecifes de corais que bordejam a ilha e reduzem a força das ondas, o que explica porque suas praias têm águas rasas, mansas e mornas. Calmaria que faz desse pedaçinho de terra de 246 km2 bem preservado de mata atlântica, restingas e manguezais, um lugar bucólico, ideal para quem não quer fazer nada. É um verdadeiro convite ao ócio. A apenas 13 km de Salvador --menos de uma hora de travessia de lancha ou ferry boat -, a ilha de Itaparica é dividida em dois municípios: Itaparica, onde fica a antiga sede, e Vera Cruz, que emancipou-se em 1962 levando consigo a maior fatia-- exatos 211 km2, ou 87% do território.




O turista, que nada tem a ver com essa disputa, poderá desfrutar do que existe de melhor nos dois lados da "fronteira", mas irá notar com certo estranhamento que o nome Vera Cruz só existe nas placas de obras da prefeitura. Na boca do povo, o que vale é Mar Grande, localidade onde funciona a sede daquele município e espécie de centro nervoso da única estância hidromineral à beira-mar do país. Em Mar Grande é possível encontrar quase tudo o que existe numa grande cidade: lojas, supermercados, drogarias, restaurantes e uma gama de serviços que nem sempre estão disponíveis nas demais localidades da ilha. Enquanto a preguiça dá o tom na vizinhança, Mar Grande dorme tarde e acorda cedo: às 6h de um domingo já é possível circular pela praça central repleta de gente que aguardam uma das escunas que levam nativos e turistas para os passeios a outras ilhas da Baía de Todos os Santos, como Ilha de Maré e Ilha dos Frades. Ali mesmo na praça é possível fazer o desjejum com um bom mingau de tapioca, acompanhado de um pedaço de bolo de Carimã e cafezinho na tenda da Marizete.Quem quiser agitação deve atravessar a Baía de volta a Salvador. Na ilha de Itaparica os dias passam lentos, mas esta pasmaceira, que tanto irrita os habitantes dos grandes centros, orna perfeitamente com o astral da terra do escritor João Ubaldo Ribeiro. Embora haja transporte de vans para as principais localidades da ilha partindo de Mar Grande e de Itaparica, a melhor forma de conhecer o local é atravessando a Baía de Todos os Santos de carro, pelo ferry boat. Para evitar transtornos nas longas filas de espera que se formam no terminal marítimo de São Joaquim, em Salvador, o ideal é que o visitante faça a sua reserva com horário marcado com no mínimo duas semanas de antecedência. História da ilha Descoberta por Américo Vespúcio em 1501, Itaparica foi colonizada em 1560 pelos jesuítas, mas em 1510 já havia registrado a passagem do navegador português Diogo Álvaro Correia, o "Caramuru", que, ao casar-se com a princesa tupinambá "Paraguaçu", filha do cacique Taparica, formou a primeira família genuinamente brasileira.A posição estratégica e as belezas naturais transformaram a ilha em alvo de ataques dos corsários ingleses, ainda no século 16, e de invasões de holandeses, que chegaram a ali para se fixar entre os anos de 1600 e 1647, quando foram definitivamente expulsos pelos portugueses. Deste episódio foi erguido um dos mais belos monumentos de Itaparica, o Forte de São Lourenço, construído sobre as ruínas da fortaleza deixada pelos holandeses. É ali que funciona até hoje a única área de desmagnetização de navios do país.Bem próximo ao forte está o Solar do Rei, casarão construído em 1606 e que funcionou como sede da Casa do Contrato das Baleias. O Solar hospedou os imperadores D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fortaleza tem belas praias, boa estrutura e vida noturna agitada


Fortaleza vem acumulando pontos entre os destinos prediletos do Nordeste graças à boa fama de sua vida noturna, animada de segunda a domingo. Mas os dias de sol escaldante não ficam atrás em atrativos, a começar pelo conforto das megabarracas da Praia do Futuro e pelo onipresente artesanato cearense."Dias de sol. Noites de som", atesta o slogan de uma famosa casa noturna. O turista dança forró, pagode e samba na companhia de centenas ou milhares de pessoas, ao ar livre e em ambientes fechados. A multidão móvel ajuda a esconder os passos desajeitados e abafa a timidez dos estreantes, se drinques como capetas e tangiroskas ainda não fizeram efeito.O clima festeiro e musical, portanto, pode ser comparado ao de Porto Seguro, outro pólo turístico. Só que Fortaleza é muitas vezes maior do que o balneário baiano: tem cerca de 2,4 milhões de habitantes, tráfego intenso, favelas nas redondezas e calçadões quilométricos na beira do mar, diante de hotéis e centros comerciais com dezenas de andares.Ainda que boa parte dos hotéis e restaurantes esteja concentrada entre as praias de Iracema, Meireles e Mucuripe, a poluição invariavelmente impede os banhos nesta região mais central do turismo. Quem quer se divertir na água o dia inteiro, sem riscos para a saúde, procura a Praia do Futuro e encontra por lá bônus de variada ordem.Nos últimos anos, algumas barracas de praia se transformaram em complexos de lazer. Foi-se o tempo em que conforto na beira-mar era ducha funcionando, cerveja gelada e sanduíche natural em caixa de isopor.
Na Praia do Futuro, a infra-estrutura pé na areia tem o requinte de salões de beleza com massagistas, lan houses e parques infantis. Sem contar os bares e restaurantes que servem lagostas e caranguejadas no capricho. A programação cultural ali inclui shows de música e humor nas noitadas diante das ondas.A rica paisagem de coqueiros, pontes, barcos, velas, bancos e faróis das praias mais urbanizadas merece ser desfrutada a partir do final da tarde. Em horário comercial, o asfalto de Fortaleza parece arder em brasas: carregue sempre protetor solar, chapéu e água. No início da noite, os calçadões das praias de Iracema e Meireles se enchem de moradores descontraídos, de abrigo e tênis, curtindo a brisa de casa com água de coco.O artesanato move o turismo e a economia do Ceará. A Central de Artesanato (CeArt) elenca dezenas de tipologias artesanais que caracterizam a produção das diferentes regiões do Estado. Na capital, nas feiras, lojas de shoppings, Mercado Central e Centro de Turismo, é possível comprar peças de bordados a mão ou a máquina, crochê, tecelagem, trançados, pinturas, objetos em couro, cerâmica, madeira e metal, flora regional, rendas de bilro, labirinto, filé e renascença. Entre outros.Na Praia de Iracema, uma grande escultura em ferro e fibra de vidro da heroína indígena de José de Alencar lembra que o Theatro José de Alencar também precisa ser visitado. As estruturas metálicas européias e os vitrais coloridos fazem de sua fachada um símbolo da cidade.De Fortaleza, de dia ou de noite, partem passeios para lugares míticos como Canoa Quebrada ou Jericoacoara. Em ambos dá para ver pequenas jangadas de pertinho e, com sorte, agendar um passeio. Nos livros escolares, as descrições de jangadas lembram embarcações resistentes, intrépidas, verdadeiros colossos enfrentando as ondas. Nas jangadas comuns dos pescadores cearenses, mal cabe um homem sentado.Pergunte a um jangadeiro o que ele faz quando aquele quadrado de troncos vira em alto mar, na madrugada, na escuridão, e sente na areia esperando por relatos de bravura, de afogamentos antológicos, de perda total de redes e peixes. A resposta virá sem qualquer traço de heroísmo, quase com indiferença, a mostrar que faz parte do trabalho cair da embarcação: "Eu desviro".

sábado, 1 de agosto de 2009

Polo cultural, Recife tem um dos melhores Carnavais do país




Esta cidade é a capital de Pernambuco, com muitos arranha - céus e avenidas modernas. Está atravessada pelos rios Beberibe e Capiberibe, que convivem com edifícios coloniais e becos tradicionais.Também é chamada a ¨Veneza do Brasil¨, devido a que seus canais e suas pontes estão sobre os rios Beberibe e Capiberibe.É comentado que esta cidade tem algumas semelhanças com Amsterdã. A cidade foi sede do governo entre os anos de 1630 e 1653, período em que o país foi dominado pela Holanda.A Recife antiga e histórica - com sua área urbana de mediados do século XVI e XVIII - é um patrimônio histórico e arquitetônico da cidade, herança que foi deixada pelos colonizadores portugueses e holandeses.O carnaval de rua de Recife está considerado como um dos melhores carnavais do Brasil. Esta festa, é comemorada durante 3 dias com ritmos e músicas típicas da região. Além disso, a cidade conta com uma infra - estrutura turística excelente. Das suas praias, a Praia da Boa Viagem é a mais destacada e freqüentada, devido às suas águas tranqüilas.


É interessante visitar:
Igreja de Santo Antônio (1606)
Igreja N.S. do Carmo, (1663)
Museu de Barro
Festival da Ciranda
Ilha de Itamaracá
Ruínas de Vila Velha e o Forte Orange
Parque Histórico de Guararapes.

Outra das atrações de Recife são suas belas praias, entre as que se destacam a Praia da Boa Viagem, com 7 quilômetros de extensão.Praia da Boa Viagem. Esta praia além de ser a mais freqüentada, é também a mais popular; é uma praia urbanizada que está localizada por toda a avenida da costa, e tem piscinas naturais com água azul que estão entre a areia e os recifes. Esta praia é um lugar ideal para o banho de mar. Para aquelas pessoas fanáticas pelo mergulho, a cidade oferece diferentes áreas de excursão no fundo do mar. Estas áreas tem piscinas naturais que estão distribuídas por toda a costa; além disso, tem também um parque com mais ou menos 30 barcos naufragados.Entre os lugares mais freqüentados para a prática do mergulho, se destacam os seguintes:



a) Areial São Martim Barco afundado na saída do Porto de Recife, com 12 metros de profundidade.

b) Pirapama Vapor de rodas afundado a 6 milhas do Porto de Recife, com 23 metros de profundidade.

c) Vapor 48 Vapor de rodas, naufragado a 48 metros de profundidade; está habitado por inumeráveis espécies marinhas.

d) Alfama de Lisboa Barco a vela português naufragado a 10 metros de profundidade.

e) B18 Avião que caiu no mar, logo após de uma decolagem com falhas.

f) Vapor Bahia Vapor de rodas, naufragado a 26 metros de profundidade. Está localizado a 12 milhas da Ilha de Itamaracá, e é habitado por inumeráveis espécies marinhas.

g) Vapor Flórida Vapor inglês que naufragou em 1910. Está a 31 metros de profundidade, a 12 milhas do Porto de Recife.


Carnaval de Recife

É conhecido e admirado no mundo todo, e atrai a milhões de turistas todos os anos. Os festejos do carnaval, começam uma semana antes da data oficial, com camarins móveis que estão montados em cima de caminhões que percorrem os bairros e as praias de Boa Viagem.Na sexta - feira, as pessoas saem nas ruas para dançar e se divertir ao ritmo do frevo, e para assistir aos espetáculos de dança dos grupos de maracatu, ciranda, afoxé, reggae e manguebeach.A data mais importante, é o sábado, já que mais de um milhão de pessoas dançam acompanhando a grupos como o Galo da Madrugada; e na madrugada de segunda - feira, se comemora a Noite dos Tambores Silenciosos, no Pátio do Terço. Bairro do Recife É a área onde nasceu a cidade de Recife, e é conhecida como o ¨Recife Antigo¨. Esta parte velha da cidade, é o ponto original da história da cidade. É interessante conhecer as construções centenárias de um grande valor arquitetônico incalculável. É interessante visitar no Bairro de Recife:



Sinagoga Kahal Zur Israel. (Século XVII).

Torre Malakoff. (Século XIX).

Forte de Brum. (1630).

Basílica e Convento N.S do Carmo

Capela Dourada

Catedral de São Pedro dos Clérigos. (1782).

Igreja de N.S do Rosário dos Homens Pretos

Museu do Homem do Nordeste

Instituto Ricardo Brennand

Museu da Cidade

Fundação Gilberto Freyre.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Nos Lençóis, dunas e lagoas de água de chuva formam paisagem única


Para o turismo de aventura brasileiro, os Lençóis Maranhenses podem ser considerados um ponto de convergência, no meio do caminho entre a região amazônica, de um lado, e o Delta do Parnaíba e Jericoacoara, no Piauí e Ceará, do outro. São mais de 150 mil hectares só no parque nacional que há na área, com 70 quilômetros de praias.As dunas e lagoas formam uma paisagem única no mundo, que já foi definida como "miragem", "surreal" e "extraterrestre", de acordo com as expectativas dos viajantes e suas tentativas de descrever o impacto. "Miragem" tem a ver com o desejo de encontrar um oásis depois do cansaço de caminhar pelas montanhas de areia, com a vantagem de que ali ela é real: as piscinas de fato existem. "Surreal" seria um bode tocando violino antes de ir para a panela virar buchada com leite de coco. E a definição "extraterrestre" sintetiza a impressão do lugar não ser deste planeta. Os Lençóis Maranhenses ficariam na Lua, por exemplo, como no filme "Casa de Areia", do diretor Andrucha Waddington, gravado na região.Os pacotes de viagens com veículos especiais e passeios de barco podem ser contratados completos desde a partida em cidades de outros Estados, ou separadamente, por dia, em agências instaladas em São Luís, capital do Maranhão, e Barreirinhas, já na região dos Lençóis.
Nos Lençóis, chove cinco ou seis vezes mais do que a média em regiões desérticas. O índice pluviométrico chega a 1.600 mm por ano. A partir da orla marítima, ao norte, a força dos ventos faz as dunas se arrastarem por 50 km rumo ao interior. E a força das chuvas faz cair tanta água durante meses que ainda sobram bilhões de litros, nem evaporados nem absorvidos pela areias, para formar as piscinas naturais que são a grande atração do local.A mobilidade faz parte da aventura. Existem lagoas que desaparecem de setembro a março. E como as dunas carregadas pela ventania, também as casas de palha de buriti dos moradores e a infra-estrutura turística podem ser móveis nos Lençóis Maranhenses. Muitos telefones de contato são celulares, e os sites saem do ar com freqüência. Meca recente do lazer num dos Estados mais pobres do país, de pior renda per capita e altos índices de analfabetismo, não por acaso os Lençóis ficaram escondidos por muitas décadas da atenção nacional e estrangeira. A sobrevivência básica, com água, leite, peixe e farinha, toma boa parte do tempo dos nativos. Até estrada decente é novidade, e luz elétrica também, fazendo crer que o poder público mora em outro planeta. E pouca gente ia acreditar na descrição do tesouro terráqueo: parece caminhar na poeira da lua, com água morna para relaxar.Barreirinhas ou Santo Amaro do Maranhão?Ainda na década de 90, quando as dunas com piscinas mal começavam a surgir nas revistas de turismo, era difícil chegar a Barreirinhas desde a capital do Maranhão, São Luís. A rodovia era tão precária que o percurso de 250 km podia demorar oito horas, e as agências sugeriam viajar de avião bimotor. Com a MA-402 recuperada, Barreirinhas se desenvolveu com hotéis, pousadas e restaurantes, e continua sendo a principal porta de acesso ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Recentemente, por conta da produção cinematográfica "Casa de Areia", que tem Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Seu Jorge e Luiz Melodia como os casais protagonistas, a cidade passou a dividir as atenções dos turistas com a vizinha Santo Amaro do Maranhão, onde a equipe e os atores se instalaram por várias semanas para realizar o filme.Barreirinhas tem o rio Preguiças para bares com trapiche e passeios formidáveis, que dão acesso às dunas, aos vilarejos de pescadores e artesãos e ao mar, vizinho de Caburé e Atins. Chegar a Santo Amaro por estrada de areia é um sufoco, mesmo em veículos com tração. Ambas as cidades disponibilizam a aventura das dunas em altas voltagens, com infra-estrutura de alimentação, banho de chuveiro e descanso na volta. E muito mais, às vezes: um resort com mais de 150 quartos em Barreirinhas anuncia até "fitness center", na hipótese de algum hóspede conseguir mexer as pernas e o pescoço depois de caminhar por centenas de metros na areia escaldante.
Percorrer os Lençóis requer esforço físico e cuidados com a saúde. Quem vai, porém, vê vantagens, entre elas a do êxtase do contato com a água morna e cristalina das imensas lagoas, formadas entre as dunas com a água das chuvas do primeiro semestre de cada ano.Para quem se aventura, é importante levar a sério as recomendações dos guias: usar sandálias de borracha em vez de tênis; proteger a cabeça com chapéus, bonés e lenços e o corpo com protetor solar, eventualmente com mangas compridas e cangas até as canelas; usar óculos e retirar as lentes de contato, se possível; carregar água, sucos em caixinha, frutas e biscoitos na mochila, porque o esforço pede reposição de calorias; proteger as câmeras com plástico, já que a areia chega por todos os lados. Óculos de natação e binóculos aprimoram as sensações da beleza do lugar.Os guias são fundamentais, em qualquer situação, para caminhadas curtas ou longas. Sozinho, há risco de se perder, porque os ventos apagam as pegadas na areia e não sobressaem pontos de referência no horizonte. Para as montanhas de areia branca que parecem intransponíveis, os guias providenciam cordas. Aceite a ajuda: lugares inóspitos como estes fornecem lições de humildade a quem pretende desbravá-los.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Jericoacoara tem charme de vilarejo, dunas acolhedoras, descanso e movimento


Jericoacoara é um vilarejo especial no norte do Ceará que pára para ver o sol se pôr, no mar, em todas as tardes do ano. Moradores e turistas partem de várias ruas ao mesmo tempo, e o ritual se completa no alto da grande duna de areia. Pensando bem, ali o sol não se põe: ele se exibe, dá um show de cores e formas no céu.Para a duna, antes de anoitecer, convergem os idiomas e sotaques distintos que fazem de Jericoacoara um dos pontos mais internacionais do litoral brasileiro. Ali se conhece quem acabou de chegar, para uma visita de poucos dias, e também os ex-viajantes que nunca mais foram embora. Um caminhoneiro sulista, uma fisioterapeuta européia, esportistas norte-americanos: eles estão lá, junto dos nativos, administrando pousadas e restaurantes.Ainda sobre a duna, diante de capoeiristas fazendo piruetas na areia e do céu pintado de lilás, rosa e laranja, feito um quadro de Monet gigantesco que a noite logo vai esconder, são agendados passeios, encontros, festas, aulas de windsurfe e jogos de futebol. "A areia corre veloz, escova as pernas, chega até os olhos", escreveu um italiano sobre o lugar. A vila pacata oferece descanso e também movimento.Praias, lagoas e parque nacionalA 280 km de Fortaleza, a cidade de Jijoca de Jericoacoara é a porta de entrada para a vila de Jeri, escondida atrás das dunas. São necessários veículos com tração nas quatro rodas para chegar lá, no refúgio à beira-mar. Jijoca tem boa estrutura de pousadas e as águas azuis da Lagoa Paraíso, que enche nas temporadas de chuva, no primeiro semestre. Em período de seca, melhor tomar o caminho do mar, em Jeri, a 23 km de distância.Não são praias comuns, dessas com quilômetros de guarda-sóis, quiosques e carrinhos de sorvete. Nada será trivial num lugar onde é possível aproveitar boa parte das férias de pés descalços, dia e noite, já que as ruas não têm calçamento: só areia fofa. O mesmo vento de qualidade excepcional (sobretudo no segundo semestre) que atrai windsurfistas e kitesurfistas do exterior pode tornar incômodo o banho de sol.As praias de Jeri convidam a longas caminhadas pela manhã e no final da tarde. Até a Pedra Furada e Serrote, por exemplo, numa trilha sobre rochas, ou no sentido oposto, para os lados de Guriú e Tatajuba. Nas proximidades do meio-dia, o sol é forte demais.
Descoberta para o turismo nos anos 80, Jericoacoara completa em 2008 a sua primeira década com luz elétrica. Antes, a energia para os serviços básicos de refrigeração e iluminação vinha de geradores a diesel. Ainda não há postes de iluminação pública, caminhadas noturnas precisam contar com adereços charmosos como velas acesas, lanternas ou a própria luz das estrelas. Nas trevas, se você esbarrar num jegue ou cabra, os ruídos de protesto serão inconfundíveis.Desde 2002, a área de 84 km² que engloba as principais atrações da região, suas praias, dunas, lagoas e restingas, tem o status de Parque Nacional de Jericoacoara, administrado pelo Ibama. Em 1984, Jeri havia sido transformada em APA (Área de Proteção Ambiental), condição que contribuiu para a conservação de sua peculiar paisagem de caatinga e coqueiros nas beiradas do oceano.Capoeira, redes e camas king-sizeIncluído em pacotes para Fortaleza, o tempo curto de dois ou três dias de visita será sempre melhor do que nenhum dia em Jericoacoara. Mas basta considerar fatores como a dificuldade do acesso, a tristeza dos que partem e a decisão de morar ali de muitos forasteiros para concluir que o lugar merece um tempo mais distendido.Quem aproveita as férias para se iniciar em esportes vai precisar de uma semana para ganhar segurança nas aulas de capoeira, windsurfe ou kitesurfe, em Jeri ou no Preá. Quatro ou cinco dias vão presentear o visitante com variações cromáticas do pôr-do-sol e ainda a maré alta ou baixa, que define as chances de mergulho a partir da grande duna. Uma semana é boa medida para dançar forró, reggae, samba, salsa, mambo e outros ritmos da noite de Jeri.Mais dias num lugar desses, rico em panorama humano, permite acompanhar o intenso entra-e-sai, ver o êxtase dos recém-chegados, fazer amigos de distintas nacionalidades e ainda retornar aos restaurantes prediletos. A gastronomia de Jeri está ficando mais sofisticada, até para atender aos que podem se dar o luxo de aterrissar de helicóptero, num trajeto de hora e meia desde a capital cearense.As dezenas de opções de hospedagem também aprimoraram o conforto. Foi-se o tempo em que todos os chuveiros eram frios. Agora existem terraços privativos, jardins ornamentais, jacuzzi, camas king-size, ar-condicionado, decoração com motivos étnicos. Mesmo as pousadas mais simples oferecem redes, café-da-manhã com granola na varanda e a sombra daqueles cajueiros que tornam doce todo o aroma em volta.Trata-se de um vilarejo tão fora do comum que vale a pena planejar uma chegada em grande estilo, e não precisa ser de helicóptero. Desde Fortaleza, prefira o ônibus da noite, que em Jijoca passará o bastão e os passageiros para uma jardineira cruzar as dunas na madrugada. Na confusão dos contornos, os morros de areia iluminados pelas estrelas parecem se espichar, colados às nuvens do céu.Faz calor, mas é como cruzar por imensas geleiras brancas, sacolejando com a trepidação. A visão dos jegues na estrada improvisada, tranqüilos, habituados ao ronco da jardineira interrompendo a ceia, lembra o visitante que aquela paisagem extraordinária está no Nordeste brasileiro.