








Jericoacoara é um vilarejo especial no norte do Ceará que pára para ver o sol se pôr, no mar, em todas as tardes do ano. Moradores e turistas partem de várias ruas ao mesmo tempo, e o ritual se completa no alto da grande duna de areia. Pensando bem, ali o sol não se põe: ele se exibe, dá um show de cores e formas no céu.Para a duna, antes de anoitecer, convergem os idiomas e sotaques distintos que fazem de Jericoacoara um dos pontos mais internacionais do litoral brasileiro. Ali se conhece quem acabou de chegar, para uma visita de poucos dias, e também os ex-viajantes que nunca mais foram embora. Um caminhoneiro sulista, uma fisioterapeuta européia, esportistas norte-americanos: eles estão lá, junto dos nativos, administrando pousadas e restaurantes.Ainda sobre a duna, diante de capoeiristas fazendo piruetas na areia e do céu pintado de lilás, rosa e laranja, feito um quadro de Monet gigantesco que a noite logo vai esconder, são agendados passeios, encontros, festas, aulas de windsurfe e j
ogos de futebol. "A areia corre veloz, escova as pernas, chega até os olhos", escreveu um italiano sobre o lugar. A vila pacata oferece descanso e também movimento.Praias, lagoas e parque nacionalA 280 km de Fortaleza, a cidade de Jijoca de Jericoacoara é a porta de entrada para a vila de Jeri, escondida atrás das dunas. São necessários veículos com tração nas quatro rodas para chegar lá, no refúgio à beira-mar. Jijoca tem boa estrutura de pousadas e as águas azuis da Lagoa Paraíso, que enche nas temporadas de chuva, no primeiro semestre. Em período de seca, melhor tomar o caminho do mar, em Jeri, a 23 km de distância.Não são praias comuns, dessas com quilômetros de guarda-sóis, quiosques e carrinhos de sorvete. Nada será trivial num lugar onde é possível aproveitar boa parte das férias de pés descalços, dia e noite, já que as ruas não têm calçamento: só areia fofa. O mesmo vento de qualidade excepcional (sobretudo no segundo semestre) que atrai windsurfistas e kitesurfistas do exterior pode tornar incômodo o banho de sol.As praias de Jeri convidam a longas caminhadas pela manhã e no final da tarde. Até a Pedra Furada e Serrote, por exemplo, numa trilha sobre rochas, ou no sentido oposto, para os lados de Guriú e Tatajuba. Nas proximidades do meio-dia, o sol é forte demais.
Mas basta considerar fatores como a dificuldade do acesso, a tristeza dos que partem e a decisão de morar ali de muitos forasteiros para concluir que o lugar merece um tempo mais distendido.Quem aproveita as férias para se iniciar em esportes vai precisar de uma semana para ganhar segurança nas aulas de capoeira, windsurfe ou kitesurfe, em Jeri ou no Preá. Quatro ou cinco dias vão presentear o visitante com variações cromáticas do pôr-do-sol e ainda a maré alta ou baixa, que define as chances de mergulho a partir da grande duna. Uma semana é boa medida para dançar forró, reggae, samba, salsa, mambo e outros ritmos da noite de Jeri.Mais dias num lugar desses, rico em panorama humano, permite acompanhar o intenso entra-e-sai, ver o êxtase dos recém-chegados, fazer amigos de distintas nacionalidades e ainda retornar aos restaurantes prediletos. A gastronomia de Jeri está ficando mais sofisticada, até para atender aos que podem se dar o luxo de aterrissar de helicóptero, num trajeto de hora e meia desde a capital cearense.As dezenas de opções de hospedagem também aprimoraram o conforto. Foi-se o tempo em que todos os chuveiros eram frios. Agora existem terraços privativos, jardins ornamentais, jacuzzi, camas king-size, ar-condicionado, decoração com motivos étnicos. Mesmo as pousadas mais simples oferecem redes, café-da-manhã com granola na varanda e a sombra daqueles cajueiros que tornam doce todo o aroma em volta.Trata-se de um vilarejo tão fora do comum que vale a pena planejar uma chegada em grande estilo, e não precisa ser de helicóptero. Desde Fortaleza, prefira o ônibus da noite, que em Jijoca passará o bastão e os passageiros para uma jardineira cruzar as dunas na madrugada. Na confusão dos contornos, os morros de areia iluminados pelas estrelas parecem se espichar, colados às nuvens do céu.Faz calor, mas é como cruzar por imensas geleiras brancas, sacolejando com a trepidação. A visão dos jegues na estrada improvisada, tranqüilos, habituados ao ronco da jardineira interrompendo a ceia, lembra o visitante que aquela paisagem extraordinária está no Nordeste brasileiro.





Festejar: Quando os bares de Lisboa fecham às 2h da manhã, todo mundo segue para o Music Box (Rua Nova de Carvalho, 24; 351-21-347-3188; http://www.musicboxlisboa.com/), uma boate que lembra uma caverna sob a ponte no bairro do Cais do Sodré. Lá, um público eclético na faixa dos 20 e 30 anos -descolados com visual retrô, garotas de relações públicas que acabaram de sair do trabalho, tipos da moda e da mídia, além de sujeitos intelectuais com óculos retangulares- dança até o amanhecer com um rol eclético de DJs, VJs e bandas locais e internacionais. Preço do couvert, que pode ser usado na conta da cerveja e dos drinques: cerca de 8 euros.
Economizando: Com muitos endereços culturais abrindo mão do preço da entrada aos domingos, ele se transforma em um dia bem-vindo para descansar sua carteira. Muitos locais gratuitos estão concentrados no bairro de Belém. Comece cedo pela Torre de Belém (351-21-362-0034; um forte icônico de Lisboa do século 16, e o Museu Nacional de Arqueologia (Praça do Império, 351-21-362-0000; com seus muitos artefatos egípcios, gregos, romanos e mouros. Ambos são gratuitos das 10h às 14h. Ao lado do museu, o Mosteiro dos Jerónimos (Praça do Império, 351-21-362-0034; um mosteiro barroco ornamentado listado pela Unesco, é gratuito o dia todo. E para uma dose de arte de classe mundial -de Salvador Dali a Andy Warhol- atravesse a rua até o Berardo Collection Museum (Praça do Império; 351-21-361-2878; Custo: zero.

Custo total: 188 euros, ou US$ 254, com o euro cotado a US$ 1,35.
Com US$ 1.000 por dia
Dormir: Desde sua estréia em 2007, o minimalista-chique Fontana Park (Rua Engenheiro Vieira da Silva, 2; 351-21-041-0600; já colecionou prêmios impressionantes (Melhor Design de Interior: Quartos e Banheiros, no European Hotel Design Awards) e atrai celebridades internacionais (a atriz Judi Dench, a banda de rock Keane). Os quartos premium do sétimo andar mostram o motivo: superfícies pretas luzidias e angulares, terraços privados com vistas das colinas brilhantes de Lisboa à noite e banheiras brancas profundas Duravit, de Philippe Starck, que cintilam com luzes próprias. O hotel também conta com o muito preto restaurante japonês Bonsai, enquanto o igualmente preto Fontana Bar serve caipirinhas e música de DJ. Diária de um quarto premium: 240 euros.
Comer: Hambúrgueres podem parecer mais adequados para um churrasco de quintal americano do que um exemplo de alta cozinha portuguesa, mas a cozinha de mentalidade global do Olivier Avenida (Hotel Tivoli Jardim, Rua Júlio César Machado, 7; 351-21-317-4105; é destemida. Uma leve imersão em vinho do porto local, uma fina camada de foie gras quente no topo, algumas cebolas caramelizadas e pronto, você tem um dos muitos híbridos portugueses-internacionais que atraem multidões a essa sala de jantar prateada neobarroca. Outros destaques incluem o carpaccio de polvo e um rico cheesecake com geléia de goiaba. Preço da refeição com três pratos, por pessoa, incluindo vinho: 65 euros.

Comprar: Durante os últimos dez anos, o Vale Douro se tornou a resposta do país a Bordeaux e Napa, produzindo vinhos tintos ousados e complexos de classe mundial. Um excelente local para encher sua adega é a Garrafeira Nacional (Rua de Santa Justa, 18-24; 351-21-887-9080; onde é possível conseguir uma garrafa de um dos valorizados e difíceis de encontrar vinhos da safra 2000-2003 da Quinta do Vale Meão, cujos vinhos escuros, poderosos e ricos saem de vinhedos do século 19. Preço por garrafa: 125 euros.
Festejar: Após a meia-noite, os belos e poderosos da cidade se misturam sob as batidas dos DJs e bebem champanhe Moët & Chandon no Silk (Rua da Misericordia, 14; 351-91-300-9193; O local badalado com um ano de idade é um estudo de paixão -apenas superfícies pretas, iluminação fúcsia sensual, sofás profundos de veludo. Mas a principal atração é a vista panorâmica das janelas do chão ao teto e o deck externo iluminado à luz de velas. Preço daquela garrafa de champanhe: 130 euros.
Esbanjando: Compras nas butiques de luxo ao longo da Avenida da Liberdade podem ser cansativas: provar as inúmeras roupas, revirar carteiras cheias de cartões de créditos. Felizmente, a Lanidor, uma marca local de moda de luxo, abriu o La Spa (Avenida da Liberdade, 177-A; 351-21-314-4551; em dezembro de 2007. Uma colaboração com a Shiseido, uma gigante japonesa de cosméticos, o estabelecimento apenas para mulheres elegantes é uma adição desesperadamente necessária ao cenário carente de spas de Lisboa. Uma massagem facial e corporal de duas horas emprega a técnica Qi -pontos de pressão do shiatsu e toalhas quentes- juntamente com produtos para pele da Shiseido. Conclua a experiência no banho turco com mosaicos azuis ou na piscina coberta zen. O spa é reservado aos homens na sexta-feira. Custo: 115 euros.
Custo total: 675 euros, ou cerca de US$ 911
Dezenas de crianças, adolescentes e adultos aproveitam todos os dias o circuito do arvorismo, os muros e paredes para escalada e também agendam no Cânion Iguaçu as atividades de rafting e rapel.O arvorismo tem 11 obstáculos com altura entre 4 e 8 metros e termina com a tirolesa, numa descida de 25 metros. As escaladas são realizadas em superfícies verticais, inclinadas e horizontais, de até 7 metros de altura, com dificuldades apropriadas para iniciantes e praticantes do esporte.Se o turista prefere se exercitar em terra firme e traz de casa disposição para pedalar, um programa legal é a Trilha do Poço Preto, no Parque Nacional do Iguaçu. São 9 km de chão batido na Mata Atlântica, curtindo o ar puro e a companhia de borboletas, lagartos e quatis. Há trechos íngremes, que exigem preparo físico, mas quem desiste de pedalar todo o trajeto pode chamar resgate e prosseguir o passeio instalado num trenzinho elétrico.Na etapa final da Trilha do Poço Preto, que inclui passeio de barco pela parte alta do rio Iguaçu, mais uma atividade aquática: o guia convida a remar nos "ducks" estacionados numa das margens, um tipo de caiaque. As águas são tranquilas e, se o duck virar jogando os turistas no rio, ele desvira.Numa paisagem como a das cataratas do Iguaçu, ficar completamente molhado é parte importante da viagem.