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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Manaus é a porta de entrada para o exuberante universo da selva amazônica


Um dia de turista na selva começa com a companhia de um papagaio no café, bicando suco e destroçando frutas na mesa. Segue com caminhada guiada na mata, dali a pouco um macaquinho pula no colo, depois tem passeio de barco e pescaria e, à noite, mais bichos: focagem de jacarés e novamente os sons e cheiros da floresta. Manaus é a porta de entrada ideal para quem busca aventuras amazônicas com segurança -por falar em segurança, não se esqueça da vacina contra a febre amarela.A exuberância do lugar, de sua fauna e flora, ocupa páginas de enciclopédias. Também remete à infância, às primeiras aulas de geografia, em que se descobre que o rio Amazonas tem tamanho e importância colossais.Quantas outras paisagens são tão exclusivamente brasileiras quanto o encontro das águas dos rios Negro e Solimões? Talvez meia dúzia: o Pão de Açúcar, os Lençóis Maranhenses... As cores amarela e negra, que recusam a mistura imediata na formação do mais extenso e volumoso rio do mundo, estão entre os cartões-postais da América do Sul."Ainda hoje, quando viajo pelo rio Negro, digo sem nenhum bairrismo: é uma das paisagens mais belas do mundo. E olha, tem tanta história ali..." Quem elogia é um manauara da gema, o romancista Milton Hatoum. Seus livros compõem uma fabulosa iniciação à história multicultural, de europeus, índios e caboclos, e ao clima (quente e úmido) da capital do Amazonas. Manaus é uma cidade grande, de trânsito complicado, com 1,7 milhão de habitantes. Entre as principais atrações da zona urbana estão o Teatro Amazonas, sede de um importante festival anual de ópera, o Museu do Índio, o Centro Cultural dos Povos da Amazônia e, claro, a região do porto.
Ali o rio Negro se exibe com porte de mar, de tão largo. Em alguns trechos, chega a 23 km, de uma margem a outra.Do porto partem viagens curtas e longas --para Belém, por exemplo, dura quatro dias-- e também cruzeiros em um barco-hotel cinco estrelas, nos rios Negro e Solimões.A metrópole que viveu tempos de opulência durante o ciclo da borracha oferece aos visitantes confortos como os shopping centers e a chance de escolher entre seis ou oito tipos de refrigerante de guaraná, em qualquer supermercado. Como vitamina, misturado a saborosas frutas regionais como o cupuaçu, o pó de guaraná ajuda a não sucumbir ao calor. Mas a capital também se mostra inóspita quando, a duas quadras do cinturão turístico do Teatro Amazonas, deixa acumular pilhas de lixo nas calçadas, da manhã à noite.A experiência de um 'hotel de selva' precisa ser incluída na viagem, pelo menos como 'day use', o que vários deles oferecem. Nestes lodges, a diversidade da floresta está ao alcance da mão, e os sons noturnos não incluem buzinas de automóveis ou TV, apenas pássaros, sapos e insetos. Os pacotes incluem as refeições e a companhia de guias, alguns de origem indígena, sempre generosos na hora de compartilhar os segredos da mata.Generosos e corajosos: na procura por jacarés, à noite, os guias se dispõem a segurar os bichos (pequenos, naturalmente) para que os turistas apalpem a pele, observem de perto a dentadura, o rabo, as patas. Não raro um engraçadinho resume a aventura: "Parece uma carteira!" Hotéis de selva também proporcionam um contato diuturno com os rios. Os rios comandam a vida na região. Transporte, alimentação, lazer, festas, tudo depende das rotas na água. No livro 'Á Sombra dos Igapós', o cronista Waldir Garcia descreve uma Festa do Divino de cores amazônicas: a canoa grande, que leva a Coroa do Divino, dá a volta no rio soltando cascas de laranja-da-terra embebidas em azeite de andiroba que, incandescentes com o fogo, formam uma trilha aquática luminosa. Dá para imaginar a beleza, e o perfume da cena.A floresta oferece riscos. Ainda que raros, os acidentes em trilhas guiadas podem ser graves. Cobras venenosas não são convidadas, mas podem aparecer. Quando as agências recomendam tênis ou botas, em vez de sandálias, mais meias e mangas compridas, é bom seguir à risca. Uma picada de marimbondo não mata, mas produz uma dor paralisante, que um ungüento retirado de árvores ou um óleo de copaíba saído do bolso do guia vão rapidamente amenizar, para que o passeio não se interrompa.Procurado mais por estrangeiros do que brasileiros, o turismo na selva amazônica vê chegarem cada vez mais grupos da terceira idade. Alguns caminham devagarzinho, com bengalas, e carregam as mochilas com dificuldade. Nada que diminua a adrenalina de conhecer um lugar tão exótico. Na hora de andar de cipó, os mais velhos são os primeiros da fila. As crianças estão lá atrás, preocupadas com os riscos da queda ou a sujeira nas mãos.Ao ouvir dos garçons o protocolar 'volte sempre', dói pensar que vai ser difícil por conta da distância. E a sensação que fica é a de que a primeira visita não deveria ter demorado tanto.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Porta de entrada para a Amazônia, Belém esbanja parques ecológicos e construções históricas que impressionam



Uma grande quantidade de edifícios em meio a rios, ilhotas e uma densa paisagem de mata amazônica: essa é a visão que se tem sobrevoando a maior metrópole e a segunda cidade mais populosa da região Norte. Sem dúvida, Belém é Amazônia, sim senhor. E sabendo-se Amazônia, fez vários investimentos nos últimos dez anos para receber uma leva de turistas brasileiros e estrangeiros interessados em conhecer a diversidade dos ecossistemas da região. Principal via de entrada para a floresta amazônica por conta de sua posição geográfica, a região metropolitana de Belém é formada por cinco municípios. Situada às margens do rio Guamá, na foz do rio Amazonas, a cidade nasceu no Forte do Presépio em 1616 por conta dos esforços das forças luso-espanholas em conquistar a região —sim luso-espanholas, pois Portugal nessa época estava sobre poder de Felipe 2º, rei da Espanha. Ali habitavam os tupinambás, que até chegaram a resistir com um "exército" de 10 mil índios e um líder: Guamiaba. Mas com sua morte em uma das batalhas, os tupinambás fugiram da região costeira, indo para o interior da Amazônia. A capital paraense foi também sede de uma forte comunidade jesuítica, até o Marquês de Pombal conseguir expulsá-los, em meados do século 18. Talvez a consciência religiosa de Belém venha já daí. A festa do Círio, o maior atrativo de pessoas à cidade e que acontece na segunda semana de outubro é a maior prova da fé característica do povo belenense, quando milhares de pessoas saem às ruas para pagar ou fazer promessas para a Virgem de Nazaré. Por estar distante dos núcleos de decisões do Nordeste e Sudeste brasileiros e por ter uma ligação mais forte com Portugal, a província do Grão-Pará só veio reconhecer a independência do Brasil um ano depois, em 15 de agosto de 1823. Foi palco também da Cabanagem, movimento de cunho altamente popular que conseguiu derrubar o governo local, durante os anos de 1835 e 1840. Mas a época mais importante em termos econômicos para Belém foi o ciclo da borracha, no final do século 19 e início do 20. Com o dinheiro que vinha da matéria-prima, a capital do Pará passou a importar costumes, mão-de-obra e investimentos estrangeiros. Famílias de franceses, portugueses e japoneses vieram residir na cidade, trazendo um pouco dos costumes da Belle Époque: a cidade passou a ser conhecida como Paris n´América. Datam dessa época diversas construções e palácios, como o Theatro da Paz (1878), o Palácio Antônio Lemos e o Mercado Ver-o-Peso. Por se situar próxima à floresta amazônica e na linha do Equador, Belém é quente e bastante úmida por conta das chuvas que caem quase todos os dias. Não é exagero a velha lenda que diz que o cidadão de Belém marca encontros com a referência de horário sendo "depois da chuva". BiodiversidadeAfora a parte histórica da cidade, Belém tem um circuito de ecoturismo bastante desenvolvido. O Parque Zoobotânico Emílio Goeldi, o mais tradicional de todos os que existem na capital, continua a ser fantástico não só como instituição científica, mas também por conseguir criar um pouco do ecossistema da Amazônia dentro de Belém. Além do Goeldi, há o Mangal das Garças, criado em 2005 e que reúne também um pouco da fauna amazônica, mas sem a densidade da mata, pois o seu ambiente é bem mais paisagístico e arquitetônico. Nem por isso deixa de ter sua importância, além de ser um passeio agradável e com uma vista interessante de cima dos 47 metros de altura do Farol de Belém. A 20 quilômetros da cidade, existe ainda o recém-criado Bioparque Amazônia, este sim mais espaçoso e com diversos ecossistemas diferenciados em toda a sua área. Se tiver tempo e disposição para conhecer o litoral do Pará, vai ter uma surpresa ao chegar à Ilha de Algodoal. O local reserva praias desertas e um ecossistema que mescla litoral com a natureza amazônica, sem falar nas dunas, lagoas e igarapés que existem na região. As quatro horas de viagem de ônibus até Marudá valem a pena. A começar pela viagem de barco para chegar à ilha (não há acesso para carros).